domingo, 12 de dezembro de 2010

Clicando no Velho Mundo

Depois de quatro anos trabalhando e em paralelo escrevendo dois livros, parei para umas merecidas férias. Fui com a Gi para a Itália, terra dos nossos antepassados. Aproveitei para clicar bastante e exercitar o olhar. Abaixo algumas boas fotos da viagem, começando pelo Coliseu de Roma, clicado no entardecer.

Abaixo a escadaria de saída do Vaticano. O curioso é que tem uma rampa de descida e uma de subida independentes.
Descobrimos um lindo bosque em Roma, chamado Villa Borghese. As cores do outono renderam lindas fotos, com essa abaixo

De Roma seguimos de carro pelo Lacio e depois Toscana. Chegamos a noite em Montalcino. Era noite de lua cheia e o céu estava lindo


De Montalcino seguimos pela Toscana conhecendo várias cidades. Abaixo alguns cliques



Em Pisa fiz uma das melhores fotos da viagem, com um lindo céu azul.

Passamos em Florença, onde fiz as duas fotos abaixo


De Florença fomos para Veneza






Depois de curtir Veneza, rolou a parte de montanhas da viagem. Subimos para as Dolomitas e pegamos um visual um pouco diferente, pois era quase inverno.






Ainda nos Alpes, seguimos para o Lago de Garda, o maior da Itália. A região é muito bonita e também rendeu boas fotos


Milão foi o nosso último destino na Itália. A cidade já estava sendo decorada para o Natal e foi possível fazer a foto abaixo, uma das melhores da viagem.

De Milão voltaríamos para o Brasil, mas rolou uma nevasca e o vôo atrasou bastante. Com isso perdemos a conexão em Lisboa. Resultado: dois dias em Lisboa por conta da compania aérea. Acabamos conhecendo a linda Torre de Belém.

sábado, 23 de outubro de 2010

Clicando o Nascer da Lua Cheia...

Uma vez por mês a lua cheia nasce na hora do por do sol. Nesse dia eu subi o Morro Açu, montei meu tripé e fiquei esperando o show. Estava sozinho lá em cima, um silêncio surreal. Valeu a pena esperar... (clique para ampliar...)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Belo e o Sublime...



Kant, nas Observações sobre o Belo e o Sublime, admite que as sensações de contentamento e desgosto repousam menos sobre a qualidade das coisas externas que as suscitam do que sobre o sentimento próprio de cada ser humano. Certo de que o homem só se sente feliz na medida em que satisfaz uma inclinação, Kant admite que há um sentimento de prazer no "homem acomodado, que ama a leitura dos livros porque o induz ao sono; no negociante, a quem todas as satisfações parecem triviais, exceto aquela de que goza um homem astuto quando calcula seus ganhos".

O belo...

Contudo, há um outro sentimento mais refinado que pode ser desfrutado mais demoradamente sem saciedade e extenuação, porque se refere a uma sensibilidade da alma. Ele não se refere às inclinações ligadas a visões elevadas do entendimento, como o enlevo de que Kepler era capaz. Ele nos fala de dois tipos de sentimento, que mesmo as almas mais comuns são capazes de sentir: o belo e o sublime. O sublime produz uma comoção agradável, porém ligada ao assombro; o belo é ligado ao alegre e jovial. Sombras isoladas num bosque sagrado são sublimes, tapetes de flores são belos. A noite é sublime, o dia é belo. Olhos verdes são belos, olhos negros são sublimes. O assombro que experimentamos frente às grandes tempestades e à profundeza de alguns precipícios nos dá uma idéia do sublime kantiano. Um sentimento de prazer misturado a qualquer coisa de terrível.

O sublime...

O sublime kantiano é o precursor da idéia de que a arte não é só o contemplar da harmonia, mas também o experimentar da sensação de assombro. "Et vos lueurs sont le reflet / de lenfer doù mon coeur se plaît" (E seus clarões são o reflexo do inferno que apraz ao meu coração).



Texto inspirador enviado pelo amigo e fotógrafo Flávio Varricchio.




sábado, 29 de maio de 2010

Pedalo por Pedalar...

A Parábola da Bicicleta

Um mestre Zen viu cinco dos seus discípulos voltando das compras, pedalando suas bicicletas. Quando eles chegaram ao monastério e largaram suas bicicletas, o mestre perguntou aos estudantes: “Por que vocês andam com suas bicicletas?”

O primeiro discípulo disse: “A bicicleta carrega, para mim, os sacos de batata. Estou feliz por não ter de carregá-los em minhas costas!” O mestre elogiou o primeiro aluno: “Você é um rapaz muito inteligente! Quando você crescer você não andará curvo como eu ando.”

O segundo discípulo disse: “Eu adoro ver as árvores e os campos por onde passo!” O mestre elogiou o segundo discípulo: “Seus olhos estão abertos e você enxergará o mundo.”

O terceiro discípulo disse: “Quando eu pedalo minha bicicleta eu fico feliz e cheio de "mio rengue quio” (energia). O mestre louvou o terceiro estudante: “Sua mente se expandirá com a suavidade de uma roda novamente centrada.”

O quarto discípulo falou: “Pedalando minha bicicleta eu vivo em harmonia com todas os seres sencientes.” O mestre ficou feliz e disse ao quarto estudante: “Você pedala no caminho dourado da bondade.”

O quinto aluno disse: “Eu pedalo minha bicicleta por pedalar”. O mestre sentou-se aos pés do quinto estudante e disse: “Sou seu discípulo.”

(Enviada pelos amigos ciclistas Pat e Mauro)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Desiderata


Siga tranqüilamente, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível, sem humilhar-se, viva em harmonia com todos os que o cercam. Fale a sua verdade, mansa e claramente, e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, eles também têm a sua própria história.

Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem o nosso espírito.

Se você se comparar aos outros, você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém superior e alguém inferior a você.

Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores. Você merece estar aqui, e mesmo se você não pode perceber, a terra e o universo vão cumprindo seu destino.

Viva intensamente o que já pôde realizar. Mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde, ele é o que de real existe ao longo de todo o tempo.

Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcias, mas não caia na descrença, a virtude sempre existirá.

Muita gente luta por altos ideais, e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo, principalmente não simule afeição, nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva.

Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas também seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.

Alimente a força do espírito, que o protegerá no infortúnio inesperado, mas não se desespere com perigos imaginários, muitos temores nascem do cansaço e da solidão.

E a despeito de uma disciplina rigorosa, seja gentil para consigo mesmo.

Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores. Você merece estar aqui, e mesmo se você não pode perceber, a terra e o universo vão cumprindo seu destino.

Portanto, esteja em paz com Deus, como quer que o conceba. E quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações, na fatigante jornada pela vida, mantenha-se em paz com sua própria alma. Acima da falsidade, dos desencantos e agruras, o mundo ainda é bonito.

Seja prudente e faça tudo para ser feliz.

Texto encontrado em uma pequena igreja dos Estados Unidos no século XVII, de autor desconhecido.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Expedição Pedal Brasil



Em fins de 2003 meu amigo e montanhista dos bons Léo Holderbaum me convidou para "dar uma pedalada no Nordeste". Durante três meses treinamos muito, quase todos os dias, ou mais precisamente todas as noites após o trabalho. Aprendemos a mecânica básica das bikes e montamos bagageiros e alforges. Com quase tudo pronto eu sai do trabalho e vendi minha moto.
Poucos dias antes do Natal desmontamos tudo e pegamos um vôo para São Luis, Maranhão. Chegamos no nosso destino para lá de meia noite, espalhamos a tralha toda no chão do Aeroporto e começamos a montar nossas bikes, sob os olhares espantados de uns poucos que ainda estavam trabalhando por ali.
De São Luis partiu uma pedalada de 2.200km - Atravessamos o Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, de onde voltamos. Pedalamos pela areia das praias, estradinhas e até disputamos com caminhões e carros alguns trechos de estradas. Pedalamos sob sol e chuva. Vimos litorais de dunas, falésias e coqueiros, as três paisagens da costa do Nordeste. Atravessamos rios em canoas e jangadas, tocamos violão com hippies, concertamos pneus furados e correntes quebradas até fazer isso de olhos fechados. Conhecemos um Brasil mais brasileiro e vivemos 46 dias de forma totalmente simples, como dificilmente se consegue viver hoje nas cidades. Uma grande experiência.

domingo, 28 de março de 2010

Sobre a Coragem...

Há um provérbio popular espanhol que diz: "O mundo é de Deus, mas Deus o aluga aos corajosos." As pessoas que o repetem descobrem um dia que a coragem de que fala é a ousadia de ver a vida com os olhos de um recém-chegado para quem cada coisa acontece sempre pela primeira e pela última vez. Aos homens que têm a coragem de ver assim, Deus empresta seu mundo - como já havia emprestado sua sabedoria.

Texto do livro O Som do Silêncio, de Luiz Carlos Lisboa - Ed. Verus

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Soma de Todos os Medos

Essa trabalhosa conquista começou em fins de 2005 e terminou em agosto de 2006. Tudo começou em meados de 2005, quando eu, Alex Chê e Motta (Alexandre Motta) fomos repetir uma conquista recente no Cantagalo Menor, a linda via "Impermanência de Todas as Formas". Na volta esticamos até perto da base do Cantagalo (o maior, da foto acima) e o Motta disse "Vamos conquistar uma via nessa parede". Nas primeiras investidas participaram o Alex, Motta, Renatinho (Renato Walter) e o Matheus Reis. Depois de uma enfiada em agarrência e outra numa grande horizontal seguindo um friso, os conquistadores encontraram o "file" da via, uma inacreditável linha de agarrões e platôs que subia em diagonal para a direita. "O caminho da pedra".

A partir da quarta investida, já em 2006, eu passei a fazer parte do grupo e nós fomos ganhando altura, sempre seguindo a linha de agarras que garantia um traçado lindo e até relativamente fácil. O inverno veio chegando e o trabalho de conquistar cada vez mais alto, sempre de marreta e punho, ia ficando sofrido. Mas a beleza da via, já com alguns trechos em móvel, ia nos motivando a seguir em frente.

Em fins de junho o Fernandes, velho parceiro de conquistas dos Alex, voltou a morar em Petrópolis e se juntou ao grupo. Com isso a conquista acelerou e logo venceu a 12ª enfiada, que marcou o fim da linha de agarras. Depois de 10 enfiadas seguindo uma linha natural, tínhamos pela frente a arrancada final, com trechos que pareciam ser mais delicados. A imensa parede toda encordada e o esforço de levar material para cima eram um verdadeiro desafio. Mais uma investida do Alex e Fernandes, terminando por vencer um trecho em artificial, e a via chegou no final da 14ª enfiada.

Mas, enfim, avaliamos a situação e marcamos a investida final. Com uma furadeira emprestada a idéia era levar material suficiente e terminar a via de qualquer jeito. O dia escolhido foi uma quarta feira. Era o dia que o Alex e o Fernandes podiam e eu tive que faltar o trabalho. Preparamos tudo de véspera e a idéia seria eu e o Alex levarmos a maior parte do material pesado e o Fernandes subir mais leve para conquistar as enfiadas finais. Isso ele fazia questão.

O resumo da história é que nos encontramos às 2:00 da madrugada do dia 16 de agosto de 2006, e às 3:00 já estávamos jumareando a longa sequência de cordas deixadas na via. Foram mais de 600m de subida que levaram umas 7:00 extenuantes horas. Mas às 10:00 da manhã, num dia muito bonito, estávamos em P14 nos preparando para a investida final. Nesse dia conquistamos as duas enfiadas finais da via e comemoramos o fim de uma conquista que contou com 12 investidas. A descida foi especialmente complicada, pois tínhamos que tirar centenas de metros de cordas da parede; jornada que durou umas 6 horas. Já na base, caminhando a noite pela curta trilha até o carro, cheguei a apagar algumas vezes com hipoglicemia. Comemoramos exaustos com caldo de cana.

A Soma de Todos os Medos: D4 5º VI+ A0 E3 840 metros de extensão
Conquistadores: Alex, Motta, Fernandes, Waldyr, Renatinho e Matheus
Apoio: Zecão (apoio numa investida para fixar cordas e duplicar paradas) e Adriano Ted (que nos emprestou a furadeira)

Na foto acima estão os escaladores petropolitanos Marcel e Marquinhos, numa das primeiras repetições da via. Eles estão seguindo a linha de agarras num dos trechos mais bonitos - a 8ª enfiada, que tem algumas passadas em móvel.

A mesma foto, com menos zoom. Dá para ter a noção de como a parede é grande.

Sem zoom. Acima a parede toda vista do local onde se deixa o carro. A 8ª enfiada, onde estão o Marcel e o Marquinhos, está em destaque. Dá para ter uma boa noção do tamanho da parede.


Nas fotos acima estão o Alex (conquistando) e o Motta (dando seg). São fotos do início da conquista, tiradas pelo Erik, um simpático morador do condomínio.

A foto acima, também tirada pelo Erik, acabou registrando um momento histórico. Com um super zoom o Erik acabou fotografando os momentos finais da conquista. O Fernandes estava batalhando os últimos lances, onde quase tomou uma queda que nos deixaria em uma situação bem complicada. Eu e Alex estávamos aguardando em P15.

Outro registro do dia da conquista. O Alex estava saindo de P14 e bateu uma foto minha. A parede que aparece ao fundo é a do Cantagalo Menor.

Acima o Fernandes abrindo a 15ª enfiada.

Já na volta, o Alex abrindo os rapeis. Visual a 800m de altura.
E aí está o croquis, para os interessados em repetir a via (clicar para ampliar). Deve-se ter especial atenção durante a subida para ir pensando nos rapeis, pois tem trechos complicados em horizontal e diagonal. Como a via faz cume, é possível também descer pela trilha.