domingo, 9 de dezembro de 2012

Desenvolvendo um Acervo de Locações Fotográficas


O fotógrafo americano Galen Rowell dizia que em fotografia de paisagem as melhores fotos são feitas nos lugares que você conhece profundamente, lugares onde você volta seguidas vezes. Viajar para fotografar é muito bom e bastante motivador, mas nessas situações você acaba conhecendo os lugares mais visitados e fazendo fotos comuns.

A fotografia de paisagem já tem um grande grau de incerteza. A locação em si não faz a foto, pois depende da luz, do tempo, das nuvens, da hora certa, etc. Por isso a importância do fotografo ir desenvolvendo um acervo de locações que tenham potencial para uma boa foto. Tendo esse acervo basta esperar o dia com as condições mais promissoras e partir para tentar a foto.

Numa esticada na Pedra da Lagoinha (1.480m, Serra da Estrela, Petrópolis - RJ) em meados de 2011 para ver um por do sol reparei numa bonita árvore com um galho formando um arco sobre as montanhas. O sol de inverno, mais ao norte, não aparecia na cena. Mas essa locação me impressionou. Achei que daria uma boa foto com o sol na cena.

Voltei lá em outubro de 2011 e o sol já estava na posição certa para a foto. Fiquei um bom tempo ali curtindo o visual e fiz dois cliques da minha árvore em arco.



Satisfeito com o resultado parti para outros projetos, mas deixei minha locação guardada na manga.

Mas nesse final de primavera de 2012 resolvi retornar para curtir um por do sol na Pedra da Lagoinha. O por do sol acabou adiantando, pois o sol logo se escondeu numa camada de nuvens. Mas eu rapidamente montei os filtros graduados e consegui equilibrar a luz para uma bonita foto.


Abaixo o esquema com as posições dos filtros graduados Singh Ray. O graduado de 2 pontos ficou com a transição na linha das montanhas de baixo. O graduado de 3 pontos está na linha das nuvens, ficando 5 pontos na parte de cima da foto, onde os filtros estão sobrepostos.


Ao explorar lugares novos e desenvolver um acervo de locações o fotógrafo de natureza aumenta suas chances de uma boa foto. Ao encontrar uma locação com potencial para uma foto, tente imaginar em que condições a foto ficaria boa. Na parte da manhã ou a tarde? Em que época do ano? Com nuvens? Com pessoas? Quando as condições acontecerem vá lá e faça sua foto.


Workshop de Fotografia de Montanha - http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/2012/10/i-workshop-de-fotografia-em-montanha.html

domingo, 25 de novembro de 2012

Abraço na Serra dos Órgãos - Oficial

 *Clique na imagem para ampliar *
Linha verde: limite do Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Linha vermelha: circuito de 126km que dá a volta no Parque.

Neste dia 24 de novembro aconteceu o primeiro Abraço na Serra dos Órgãos, evento que deve passar a fazer parte do calendário de eventos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Abaixo o relato.

Relato:

Choveu bastante na madrugada na Serra. Mesmo assim parti para o Mirante do Soberbo, em Teresópolis. Depois da forte chuva tivemos um lindo amanhecer.


A turma foi chegando e se preparando para a partida. Tudo molhado, fazia frio e ventava bastante. Mas a galera estava animada.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro)

Eu e Fred (Frederico Pimentel, representante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos) fizemos uma rápida palestra explicando o trajeto e combinando os pontos de reunião do grupo. Às 7:20 partimos. 33 ciclistas, um carro de apoio do Parque, uma equipe de filmagem e um carro do Corpo de Bombeiros de Teresópolis.

O início foi bem tranquilo. Com piso ainda molhado cruzamos o centro de Teresópolis e seguimos para a subida da serra para Itaipava. Logo no começo da subida a turma já estava tirando os casacos e cada um foi encontrando sua própria cadência para encarar os mais de 8km de subida.

Na metade da subida fizemos uma rápida parada numa fonte para abastecer as garrafinhas. O sol já estava forte, um lindo dia...

(Foto de Leonardo Holderbaum)

No topo da serra registramos orgulhosos a sinalização solicitando respeito aos ciclistas.

(Foto de Leonardo Holderbaum)

Iniciamos animados a longa descida. Logo no início um susto: Uma das meninas passou reto numa curva molhada e foi parar o mato. Mas foi só um susto, com direito a uns ralados e hematomas. O grupo seguiu em frente até o primeiro ponto de reunião, o Mirante da Itaipava - Teresópolis.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro)

Desse ponto a equipe dos Bombeiros voltou para Teresópolis e nós seguimos em frente.



Depois de 12km de descida e mais um trecho plano chegamos a Itaipava. Já tínhamos pedalado 42km, um terço do percurso total. O grupo estava bem, o tempo estava bom e nosso tempo de pedal estava dentro do programado. Fizemos um lanche e seguimos pedalando.

O trecho até Petrópolis foi em ritmo forte. A chegada à Catedral São Pedro de Alcântara foi bastante comemorada.


Mais um lanche e muitas fotos. Baixamos a calibragem dos pneus e partimos pelas ruas do Centro de Petrópolis. A grande quantidade de bicicletas ocupando toda a largura das Ruas Imperatriz, Imperador e Paulo Barbosa foram um show a parte, chamando a atenção das pessoas que passavam na rua. Fizemos uma rápida reunião no Alto da Serra e partimos para a descida de paralelepípedos da Serra Velha.

(Foto de Leonardo Holderbaum)

Cada um foi no seu ritmo e aos poucos a turma foi chegando na Sorveteria Kunthy, na localidade de Fragoso, já em Magé. Como mais de 80km, já estávamos com dois terços do pedal. Fizemos ali o nosso almoço e uma longa pausa. O calor agora estava infernal e era difícil imaginar retomar a pedalada nessas condições.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro. Nessa foto aparece o meu sobrinho Gabriel, que mora em Fragoso e almoçou com o grupo)

Por volta das 14:00 horas resolvemos seguir em frente. A ideia era pegar leve num trecho plano de uns 30km até Parada Modelo, no pé da Serra de Teresópolis. Seguimos por algumas ruas de Fragoso e pegamos a Estrada Municipal, que segue beirando a serra.


Mas o calor estava surreal e subia do asfalto. Até o vento era quente. Comecei a pedalar com ânsia de vômito e percebi que todo o grupo estava mal. Passamos por Cachoeira Grande e depois Rio do Ouro, onde descobrimos um sítio com um poço e uma ducha. Era inviável continuar. Interrompemos a pedalada para um bom descanso no sítio. Entramos todos na ducha várias vezes de roupa e tudo e fomos nos recuperando.

Por volta das 15:00 tentamos retomar a pedalada. Com as roupas molhadas o vento refrescava um pouco mais. Mas mesmo assim essa puxada até Parada Modelo foi bastante sofrida.

Em Parada Modelo paramos para um lanche num posto. Com cerca de 110km pedalados faltava só a subida da serra de Teresópolis. Por sorte o tempo estava nublando e a estrada já estava mais sombreada.

De Parada Modelo o grupo foi partindo aos poucos. E para refrescar de vez caiu um belo toró de verão.

Mas a chuva veio forte demais. Raios, rajadas de vento, galhos caindo, muita água descendo pela pista... A natureza estava dando um show... e a gente ali pedalando serra acima. Cheguei a comentar com o Fred: "- Só falta chover granizo...". Minutos depois chovia granizo. Céus! É incrível como tem momentos em que a gente se sente pequeno, frágil. Mas essa adrenalina toda acabou nos dando um ânimo para encarar a longa subida.

No trecho final começou a escurecer. A chuva parou e deu lugar a uma densa névoa. Subimos com nossa lanterninhas na dianteira e pisca-piscas na traseira cortando a neblina e vencendo o cansaço.

Às 19:20 eu cheguei no topo, exatas 12 horas depois da partida. Alguns tinham chegado antes e outros ainda estavam subindo. Encostei a bike e comemorei meu abraço na Serra dos Órgãos.


Logo estávamos todos reunidos. Todos cansados mas bem. Para alguns um bom treino, para outros uma verdadeira superação. Um sentimento de felicidade e dever cumprido tomou conta de todos nós.

Num dia em que a natureza nos colocou a prova com toda a sua intensidade o evento foi um sucesso. Ano que vem tem mais...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

No Caminho do Imperador


No início do século XIX já existiam alguns caminhos ligando o Córrego Seco (atual Petrópolis) à Pati do Alferes. Mas com a fundação de Petrópolis em 1843 e a chegada dos colonos alemães em 1845 as autoridades fluminenses decidiram pela abertura de uma estrada carroçavel. O projeto, coordenado pelo engenheiro Oto Reimarus, foi concluido em 1858.

Logo que foi aberto o caminho foi percorrido por Charles Ribeyrolles, que o descreve em seu livro Brasil Pitoresco (1859) como "panoramas que são explendidas pinturas".

As frequentes cavalgadas de D. Pedro II deram origem a o nome dessa estrada: Caminho do Imperador.


Numa tarde meio nublada arrisquei uma ida ao Caminho do Imperador para tentar fotografar uma cachoeira. A mata estava molhada e a luz estava ótima.

Mas à medida em que eu entrava na floresta mais densa o tempo começou a escurecer e a estrada foi sendo tomada pela névoa. Parei para registrar esse bonito momento. Logo em seguida começou a chover forte, adiando meus planos de fotografar a cachoeira. Mas ficou o registro desse fim de tarde com névoa na floresta.

 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pico do Congonhas e o Por da Lua



"A good photograph is knowing where to stand" Ansel Adams


A lua cheia de outubro caiu num dia de semana. Meio sem tempo para organizar uma trip fotográfica com os amigos pensei em madrugar, fazer uma foto da estrada e voltar para o café da manhã em casa.

Comecei a analisar o mapinha no TPE e fui "descendo a serra" de Petrópolis até um ponto onde a lua estaria próxima ao Pico do Congonhas. Fui descendo e cheguei à conclusão que a vista perfeita seria no Belvedere. Mas se eu fosse até o Belvedere teria que descer toda a serra para retornar. Acabei decidindo fazer a foto logo na entrada do retorno do Belvedere, uma pista com pouco movimento e praticamente como o mesmo ângulo em relação ao Congonhas e a Lua.

(clique na imagem para ampliar)

Na imagem acima a gotinha vermelha é o ponto planejado para eu fazer as fotos. As linhas azuis são as linhas da lua (azul claro = nascer da lua; azul escuro = por da lua) e as outras são as linhas do sol (linha amarela = nascer do sol; linha laranja = por do sol). A setinha vermelha, que eu incluí manualmente, indica o Pico do Congonhas

O sol nasceria às 6:09, e a lua ia se por às 6:28. Não parecia muito promissor, mas como a região é toda montanhosa, dava para prever que a lua se esconder por trás das montanhas um pouco antes, com o dia ainda escurinho.

Cheguei cedo, montei o tripé e fiquei curtindo o visual. A lua ainda alta estava e com brilho intenso, impossível de equilibrar com as montanhas escuras. Quando a luz começou a equilibrar a lua se escondeu nas nuvens. Achei que a saída estava perdida e pensei em ir me arrumando para ir embora.

Mas na última hora a lua surgiu por baixo das nuvens e eu consegui a minha foto.

(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Com chuva a floresta é mais bonita


Com chuva a floresta fica mais bonita, nos dando boas oportunidades para fotografar. As cores ficam intensas e os reflexos podem ser tirados com um filtro polarizador. A luz é mais difusa, uniforme, revelando detalhes. Nada daquelas entradas de sol que até parecem bonitas ao nosso olhar, mas que o sensor da câmera não consegue administrar. Difícil manter o equipamento seco, mas com cuidado e criatividade dá para registrar esses momentos. Fotografar a mata em um dia chuvoso é ótimo, mas melhor ainda é ficar ali em silêncio observando o movimento das águas, os sons, os cheiros...


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mapeando o Abraço na Serra dos Órgãos


Durantes as caminhadas da 1ª Expedição Caminhos da Serra do Mar surgiu a idéia de um pedal circundando a Serra dos Órgãos. A galera do Parque - Fred, Ivan, Léo Holderbaum - já estava pensando em batizar esse circuito de Abraço na Serra dos Órgãos. Faltava mapear esse circuito para avaliar o grau de dificuldade. Acabei encarando essa empreitada e fiz o circuito todo marcando no GPS.

Importante: No plano original o Abraço começa e termina na sede do Parque, em Teresópolis. Mas como moro em Petrópolis comecei e terminei no Alto da Serra, pertinho de casa.

A primeira parte é a descida da Serra Velha. 800m de desnível em paralelepipedo. Descida rápida, mas um pouco cansativa pois a bike vai socando no piso irregular. Fiz todo o circuito com pneus bem cheios, mas aqui talvez seja melhor baixar um pouco a calibragem.

Descida a Serra, começa um longo e rápido trecho praticamente no nível do mar - Raíz da Serra, Fragoso, Cachoeira Grande, Rio do Ouro, Santo Aleixo, Parada Modelo, Guapimirim. Em Santo Aleixo temos uma linda vista da Serra dos Órgãos



A partir da entrada de Guapimirim começa a subida da Serra de Teresópolis. A inclinação não é tão forte, mas a longa subida acaba sendo bem desgastante. Esse é o trecho mais cansativo do Abraço. A chegada no topo da Serra é uma vitória.


Vencida a Serra, o caminho passa pela sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e depois atravessa a cidade de Teresópolis. Esse trecho é um curto descanso até a próxima subida, na estrada que liga Teresópolis a Itaipava. Essa subida é um pouco mais inclinada, mas é mais curta e com alguns trechos sombreados. Considerando que no trecho de Magé e Guapimirim se está praticamente ao nível do mar, é impressiontante chegar ao topo dessa subida a 1.430m de altitude.

A descida é espetacular, com bom piso e muitas curvas. É fácil manter velocidades acima dos 50km/h durante os impressionantes 12km de descida. O grande momento do dia.


No final dessa estrada se chega a Itaipava, com boas opções de lanche. A partir daí o caminho segue subindo a Estrada União e Indústria rumo a Petrópolis. O trecho é rápido e a subida não assusta. Após passar pelo Centro Histórico de Petrópolis o caminho chega ao Alto da Serra completando o Abraço na Serra dos Órgãos.

Dados desse circuito mapeado:
  • Distância: 126km
  • Elevação acumulada (soma das subidas) 1.842m verticais
  • Tempo total, incluíndo paradas: 10:30 horas
  • Tempo de pedal: 8:15 horas
Enfim, um circuito bonito mas um pouco exigente, como mostra a altimetria:


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Um Lindo Amanhecer no Morro do Bonet


Recentemente estive com um grupo de amigos no Alto da Ventania para ver o nascer da lua cheia. Foi uma tarde linda com por do sol e nascer da lua quase simultâneos. Mas com o céu com poucas nuvens acabamos não fazendo fotos tão marcantes. Essa valeu mais pela aventura e pelos momentos com bons amigos. Em fotografia de montanha temos um dilema: Em dias muito limpos temos a certeza de ver o nascer ou o por do sol, mas raramente fazemos fotos realmente boas. As grandes fotos acontecem quando se arrisca uma subida com tempo incerto, em saídas ou entradas de frentes frias ou tempestades. Nesses dias temos um alto grau de incerteza, pois podemos entrar numa nuvem ou até pegar chuva na montanha. Muitas vezes voltamos pra casa sem foto nenhuma. Mas quando a gente consegue umas fotos... essas sim acabam valendo o esforço.

Essa subida ao Morro do Bonet começou com um pedido do Miguel Berredo, um dos participantes da excursão do Alto da Ventania. A ideia original era assistir o por da lua cheia e o nascer do sol, eventos que iam acontecer com um minuto de diferença na manhá de domingo, dia 30 de setembro. Fiz meus estudos no The Photographers Efemeris e escolhi o Morro do Bonet, que teria visão aberta para os dois eventos além da vista para as luzes da cidade do Rio de Janeiro.


Montanha escolhida, faltava fazer o planejamento reverso:
  • Nascer do Sol: 5:32 à 93,6º
  • Por da Lua: 5:31 à 278,1º
  • Chegada ao cume do Morro do Bonet: 4:45
  • Início da caminhada: 4:15
  • Encontro do grupo em Petrópolis: 3:30
Convidei os amigos para esse verdadeiro "programa de índio" e acabaram indo o Miguel Berredo e o Arthur Mariano. O Flávio Varricchio, que não costuma ficar de fora dessas aventuras, estava viajando.

Na madrugada de sábado para domingo nos encontramos e fomos seguindo a programação. Ainda no carro pegamos muita névoa. Chegamos a achar que não teríamos vista na montanha. Mas quando chegamos na entrada da trilha já estávamos fora da névoa e vimos que o céu estava com vários tipos de nuvens. O dia prometia...

Subimos rapidamente e chegamos no cume do Bonet. Ainda estava bem escuro e nós ficamos um tempo nas rochas voltadas para oeste, vendo a lua cheia descendo entre as nuvens. Não era uma vista bonita e ainda não dava para fotografar, pois o contraste era grande. Olhei para leste e vi as primeiras nuvens ficando avermelhadas sobre a Serra dos Órgãos. As cores estavam tão intensas que era óbvio que o show seria daquele lado. Carregamos nossas tralhas e nos acomodamos no lado leste da montanha.

Montei a câmera no tripé e fiz 15 fotos verticais, varrendo 180º da paisagem, desde a Serra dos Órgãos até cobrir toda da cidade do Rio de Janeiro. Depois relaxei e comecei a curtir o visual e fazer algumas fotos usando os filtros graduados. Miguel também começou a clicar e o Arthur ficou ali curtindo aquele visual.


Com o corpo esfriando da caminhada começamos a sentir muito frio. Era hora de tirar a casacada da mochila. As luzes e as nuvens mudavam o tempo todo e cada foto tinha tonalidades bem diferentes das anteriores.

(Arthur Mariano, Miguel Berredo e eu)



As nuvens cobriam todo o céu. Do lado oposto ao nascer do sol tinha uma impressionante formação de nuvens cirrus. O curioso é que na nossa altitude praticamente não tinha vento.


O dia clareou e tentamos nos aquecer um pouco com o calor do sol. Fizemos um rápido lanche e começamos a nos arrumar para descer. Na última hora acabei montando o equipamento todo de novo para registrar a última visão das montanhas, com uma luz bem quente.


Em casa comecei a arrumar as fotos e fiquei muito feliz com o resultado daquela panorâmica feita às pressas na chegada ao cume.


Numa saída meio despretensiosa e com tempo incerto acabamos testemunhando um grande show da natureza.

Workshop de Fotografia de Montanha - http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/2012/10/i-workshop-de-fotografia-em-montanha.html

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fotografando o Por da Lua Cheia sobre o Dedo de Deus



A Lua Cheia de agosto ia cair no dia 2. Dei uma estudada nos horários e vi que pela manhã o nascer do sol e o por da lua seriam exatamente no mesmo horário: 6:24 da manhã. A Lua ia se por a 257º. Abri o aplicativo The Photographers Ephemeris e gastei um bom tempo simulando vários locais e acabei descobrindo que se estivesse na Pedra do Elefante (ao lado da Vista Soberba em Teresópolis) veria a lua se por sobre o Dedo de Deus. (o por da lua é a linha azul escuro na tela do aplicativo). Uma condição bem interessante...


Local e horário da foto definidos, previsão de tempo bom, faltava definir como chegar lá a tempo de preparar tudo para a foto. Para isso eu fiz um planejamento reverso:
6:24 - por da lua
6:00 - começa a clarear
5:30 - chegar no topo e começar os preparativos
5:00 - início da subida
3:30 - sair de casa (Petrópolis)
3:00 - acordar...  

Convidei uns amigos no Facebook. Aceitaram o convite o Flávio Varricchio, o Arthur e o Eduardo Gelli. No dia 2 nos encontramos em Petrópolis na madrugada e partimos para Teresópolis. Subimos a montanha com lanternas e nos acomodamos no topo. Fazia frio, mas felizmente ventava pouco, o que é uma condição rara nesta parte da Serra. Montei a compacta Canon S95 num tripé e fiz o registro dos aventureiros no topo da montanha. Lá no fundo o topo do Dedo de Deus e a Lua Cheia.

Flávio, Arthur, Eduardo e Waldyr

A Lua já estava quase se pondo por trás das montanhas e ainda estava um pouco escuro. Mas quando a lua ficou por trás de uma núvem a luz equilibrou e eu consegui fazer a foto abaixo.


O equipamento utilizado foi uma Canon EOS 7D, lente Canon 15-85mm, tripé e dois filtros graduados Singh Ray sobrepostos (2 pontos e 3 pontos). Os filtros estão posicionados na diagonal, seguindo a linha das montanhas.

O dia foi clareando e eu fiz mais uns cliques.



Quando o dia clareou nós descemos a montanha e procuramos uma padaria em Teresópolis para um bom café da manhã. Agradeço a compania dos amigos Flávio, Arthur e Eduardo nessa aventura.


Workshop de Fotografia de Montanha - http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/2012/10/i-workshop-de-fotografia-em-montanha.html

Fotografando a Lua Cheia no Alto da Ventania


O relato do planejamento e execução das fotos da lua cheia do mês de julho: http://trilhasdepetropolis.blogspot.com.br/2012/07/esperando-lua-cheia-no-alto-da-ventania.html

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Princípios e Valores do Montanhismo Brasileiro


Importante documento da CBME - Confederação Brasileira e Montanhismo e Escalada.

--- x ---

Montanhismo

O montanhismo é uma prática esportiva e de lazer que se caracteriza pela ascensão em montanhas e elevações rochosas, por meio de caminhadas ou escaladas, com diferentes graus de dificuldade e tempos de duração. O termo “montanhismo” abrange as seguintes atividades e suas práticas derivadas: caminhadas em montanha (de curta e longa distância, eventualmente incluindo pernoites); escalada em rocha (esportiva e tradicional); escalada em gelo e neve; alta montanha; bouldering e escalada em muros artificiais.

A CBME

A Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME) é a entidade que protege a liberdade, promove os interesses dos montanhistas e escaladores brasileiros e difunde o esporte dentro dos altos padrões de segurança e responsabilidade. A CBME é formada por 36 entidades, agrupadas em 11 agremiações: Federações de montanhismo dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará, Associação Capixaba de Montanhismo, Clube Baiano de Montanhismo e Associação de Escaladores do Rio Grande do Norte.

Introdução

As montanhas possuem alto grau de riqueza e biodiversidade, são fontes de mananciais de água e estão altamente vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. Além disso, constituem importantes remanescentes de áreas florestais próximos de adensamentos urbanos e concentram recursos estratégicos dos quais dependem cidades e brasileiros. Em muitos locais, esse ambiente está sob pressão de fatores ligados aos processos de urbanização e à exploração mineral, agricultura e ao avanço da pecuária, o que ocasionou a redução significativa das paisagens naturais de montanha. Com o aumento e a popularização dos esportes e turismo de aventura, aumentou também o impacto da visitação em ambientes naturais. Os praticantes de montanhismo e escalada, que apresentam uma formação consciente e responsável, são muitas vezes confundidos com turistas eventuais e discriminados como potenciais ameaças aos ambientes de montanha.

A despeito do vigor apresentado pelo montanhismo, que sintetiza a comunhão do homem com a natureza, e da inegável responsabilidade com que é praticado hoje no Brasil, tanto em termos de segurança pessoal dos praticantes como em relação ao respeito e ao incentivo à conservação do ambiente natural, alguns fatos recentes têm ameaçado a sua prática. As principais ameaças ao desenvolvimento das atividades ligadas ao montanhismo são o fechamento e a proibição do acesso e o excesso de regulamentação de uso nas áreas de escalada e montanhismo. Entre os fatores que levam a essa situação, temos:
  • O crescente processo de urbanização.
  • Preocupações com responsabilidade civil em casos de acidentes.
  • A obrigação de contratação de um guia, condutor, monitor ou profissional para poder praticar a atividade ou visitar uma área.
  • Taxas de entrada incompatíveis com a realidade da sociedade brasileira (e da maioria dos montanhistas).
  • O desconhecimento dos procedimentos de segurança esportiva, ética e das práticas de mínimo impacto que permeiam toda a atividade, da realidade do montanhismo, seus princípios e valores.
Tendo em vista esses desafios, este documento tem os seguintes objetivos:
  • Sintetizar os princípios e valores do montanhismo, baseando-se nos principais desafios encontrados atualmente para a prática do montanhismo e escalada.
  • Promover uma visão compartilhada do montanhismo, objetivando estabelecer bases para o futuro.
Os princípios aqui descritos devem guiar futuras políticas relativas ao uso recreativo de áreas de montanha, seja em Unidades de Conservação (UCs), propriedades privadas ou áreas devolutas (áreas públicas).

Nosso objetivo é que a conservação e a recreação se beneficiem mutuamente. Acreditamos que o livre acesso às áreas de montanhismo é um componente essencial para uma gestão integrada de conservação e recreação em áreas de montanha.

Reconhecimento da importância do livre acesso às áreas de recreação em montanha

O acesso às montanhas tem grandes benefícios: a oportunidade de recreação nessas áreas promove um melhor entendimento do ambiente natural e, consequentemente, o respeito pelo mesmo, além de promover o desenvolvimento sustentável local e a qualidade de vida. O montanhismo e a escalada estimulam também o desenvolvimento e o aprimoramento de habilidades interpessoais, como trabalho em equipe, liderança, comunicação e poder de decisão, e habilidades sociais, como responsabilidade e solidariedade. Além disso, áreas naturais frequentadas por esportistas e visitantes conscientes das práticas de mínimo impacto e de respeito ao meio ambiente inibem a prática de atividades danosas, como caça, extração de recursos e ocupação ilegal, colaborando na vigilância para a conservação dos ambientes naturais.

O direito de acesso

O acesso às áreas de recreação em montanhas, de montanhismo e escalada, deve ser um direito de todos. A destinação de uma área para a proteção dos recursos ou para o desenvolvimento do turismo não deve restringir a liberdade e autonomia dos visitantes, privilegiando sempre a diversidade de experiências buscadas por cada um, respeitando as práticas de mínimo impacto.

Acesso responsável

Entendemos que a conservação e a recreação podem e devem se beneficiar mutuamente. Os usuários de uma área de montanhismo devem assumir a responsabilidade de cuidar e promover a conservação desse espaço, respeitando as propriedades, animais, vegetação, infraestrutura, comunidade, cultura local, e outros usuários que, possivelmente, terão interesses distintos.

Recreação - opção com menos restrição possível

Entendemos que é apropriado criar uma regulamentação de uso em locais onde é necessário proteger sítios arqueológicos, históricos, paleontológicos, uma espécie em perigo de extinção ou ambiente único. Mesmo nesses casos, a regulamentação deve sempre privilegiar a opção de visitação com a menor restrição possível, introduzindo a autorregulamentação já praticada pela CBME com sucesso em muitos lugares, antes de se criar um regulamento mais restritivo.

Taxas de entrada e concessão de serviços

Sempre que possível, o ingresso à área de recreação em montanha deve ser gratuito. Consideramos que o uso de taxas seja adequado em locais onde exista um manejo efetivo das áreas de montanha, desde que dentro de um valor acessível aos usuários, sem estarem condicionadas à aquisição de outros serviços (“venda casada”). Não consideramos válido que se cobre taxa de ingresso em locais onde não exista infraestrutura, serviços e um manejo das áreas utilizadas. Áreas naturais, como trilhas e paredes rochosas, não devem ser objeto de concessão. As concessões devem se restringir aos serviços de apoio, como restaurantes, pousadas e estacionamentos.

Responsabilidade pessoal

A escalada e o montanhismo possuem riscos inerentes que devem ser conhecidos e aceitos por seus praticantes. Cada escalador e montanhista deve ser responsável por escolher seus próprios desafios e seu nível de comprometimento de acordo com sua experiência e capacidade técnica, tornando-se responsável por sua própria segurança. Esse é um dos princípios mais intrínsecos ao montanhismo.

Responsabilidade civil

A responsabilidade pessoal é parte inerente ao montanhismo. Os proprietários privados e os gestores de UCs e demais áreas públicas que permitem o acesso a esses locais para a prática de montanhismo e escalada, não devem ser responsabilizados civil e criminalmente por qualquer sinistralidade, uma vez que o montanhista assume os riscos.

Liberdade

A liberdade é um valor inerente ao montanhismo e ao espírito de montanha. É essencial que a liberdade de cada um termine onde começa a do próximo e que a mesma não exceda o respeito ao meio ambiente. Cada montanhista deve ter o direito de exercer essa liberdade, com responsabilidade, sem ser obrigado a contratar serviços (como, por exemplo, guias ou condutores obrigatórios e serviços terceirizados).

Autonomia

A autonomia na escolha dos desafios e aventuras e a possibilidade de praticar a atividade sem a supervisão e o acompanhamento obrigatório de guias, monitores, condutores ou outros profissionais é parte inerente ao montanhismo e deve ser respeitada. Deve-se priorizar a intervenção mínima na experiência dos visitantes, levando em conta a diversidade de experiências buscadas e as necessidades de cada visitante.

Desafio Natural

O montanhismo e a escalada têm como premissa a aceitação dos desafios naturais que se apresentam. Nesse sentido, a atividade é uma aliada da conservação dos ambientes naturais, prescindindo da introdução de estruturas que não sejam estritamente necessárias. A primitividade dos ambientes de montanha, principalmente das áreas mais elevadas e isoladas, é um atributo muito valorizado por montanhistas e deve ser respeitado. Esse também é um meio de privilegiar a qualidade da visitação em um ambiente único e natural que apresenta as dificuldades inerentes às suas características próprias.

Compromisso com o Meio-Ambiente

A CBME acredita que é essencial que existam áreas naturais de montanha preservadas e utilizar parâmetros adequados para promover um manejo em que a pluralidade de motivações dos visitantes seja respeitada em consonância com o manejo para a conservação, garantindo, assim, a preservação do vínculo emocional com as áreas naturais. O montanhismo deve ser promovido como um instrumento de desenvolvimento sustentável em áreas de montanha.

Um aviso da CBME

A CBME reconhece que a escalada e o montanhismo são atividades de risco e podem ocasionar lesões, incluindo a morte. Todos os participantes dessas atividades devem ter conhecimento dos riscos envolvidos, minimizá-los e, por fim, aceitá-los, sendo responsáveis por suas próprias escolhas, ações, decisões e, consequentemente, sua segurança.
CBME - Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada
CNPJ sob nº 07.303.337/0001-17
Av. Almirante Barroso 2 - 8º andar - Centro
CEP 20.031-000 - Rio de Janeiro - RJ