quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Usando o Flash de Preenchimento em Fotos de Paisagem


A técnica do Flash de Preenchimento pode ser bastante útil em fotos de paisagem. O conceito é utilizar o flash para preencher alguma área sombreada no primeiro plano, de forma bem discreta. É possível aplicar essa técnica com o flash pop-up da própria câmera, mas em algumas situações vai faltar potência para equilibrar a luz, principalmente em situações de contra-luz ou luz do dia. Além disso, as unidades de flash externo tem a capacidade de direcionar o flash, o que é bastante útil.

A primeira providência é ler o manual da câmera e verificar qual a maior velocidade de sincronização do flash. Na minha câmera, uma Canon 5D mark II, essa velocidade é 1/200 segundos.

Os segundo passo é enquadrar a cena e fazer a fotometria normal a partir da luz da paisagem, mantendo a velocidade num valor igual ou menor que a velocidade de sincronização.

O passo seguinte é ligar o flash e definir a compensação de exposição do flash na câmera como -1 (menos um ponto em relação à medição da câmera). O conceito aqui é ter a intensidade do flash um pouco abaixo da luz natural, mas isso é uma definição teórica. Como a luz natural é bastante complexa, essa regulagem serve apenas como ponto de partida.

Feita essa regulagem, basta fazer algumas fotos avaliando o resultado e fazendo pequenos ajustes até encontrar o ponto certo do flash. Abaixo uma sequência de fotos que exemplifica esse processo. O flash usado foi o Canon 430 EX II

Teste 1 - fotometria pela cena e compensação de exposição do flash em -1 ponto


A fotometria do fundo está correta, mas o flash ficou forte e especialmente intenso no chão.

Teste 2 - baixei um ponto na compensação de exposição do flash


Flash um pouco mais discreto, mas ainda forte e visível no chão.

Teste 3 - baixei mais um ponto na compensação de exposição do flash e direcionei o flash um pouco para cima


Nessa foto a intensidade do flash ficou correta  e o chão passou a ser iluminado pela luz da janela, dando um aspecto bem natural à foto. Essa foi a foto final.

Depois dessa foto mudei a câmera para o modo auto e fiz uma foto de comparação. O enquadramento e a luz externa são rigorosamente os mesmos, mas o resultado ficou extremamente feio e artificial.


A comparação da foto feita com a técnica do flash de preenchimento versus modo automático mostra bem a possibilidade de se fazer boas fotos com essa técnica. É importante ficar atento à velocidade de sincronização. Se deixar uma velocidade acima é provável que a câmera baixe a velocidade por conta própria e a foto sairá com o fundo super-exposto. Alguns flashes tem a funcionalidade de high speed sync, que permite o uso de velocidades acima da velocidade de sincronização nativa da câmera. Isso é bastante útil.

Enfim, uma técnica relativamente simples que requer talvez o investimento numa unidade de flash e algum treino. Mas o esforço costuma valer a pena.

Portais de Hércules, Serra dos Órgãos
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Vale do Jaborandi, Três Picos
(clique na foto para ampliar)


Gostou do artigo? Para ir mais à fundo nesta e em outras técnicas,conheça o Workshop de Fotografia de Montanha


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Mini - Documentário sobre Fotografia de Montanha

Um mini-documentário produzido pelo fotógrafo Jorge Goettnauer como um trabalho para a faculdade de jornalismo. A entrevista é comigo e o filme tem algumas tomadas feitas na aula prática de um dos Workshops de Fotografia de Montanha.


domingo, 26 de maio de 2013

Composição Fotográfica - O Fluxo do Olhar

Depois de tomar muita coragem apertei o botão "comprar" num anúncio de uma lente Canon 70-200mm f/4, minha primeira lente série "L", as lentes top da Canon. Depois de alguns testes, madruguei neste domingo para umas fotos pra valer. Por coincidência era lua cheia e clicando a lua pude constatar a qualidade dessa desejada lente.


Mas fotos da lua sozinha no céu, apesar de bonitas, tem pouco ou quase nada de composição. Com o dia começando a clarear tentei buscar cenas no horizonte que, isoladas do restante da paisagem, poderiam render boas composições. As lentes tele são bacanas pois nos permitem a derradeira "exclusão", que é a visualização de uma pequena parte de uma cena completa, o conceito da fotografia aplicado ao extremo.

Estava no ponto mais alto da estrada que liga Itaipava a Teresópolis, de frente para o maciço dos Três Picos. Mas o que me chamou a atenção foi uma formação de montanhas e nuvens mais ao norte. Fiz meu enquadramento e capturei minha imagem.


Confesso que não fiz grandes análises ao fazer a foto. Apenas enquadrei buscando um equilíbrio das formas. Em casa ao olhar a foto com calma identifiquei alguns elementos de composição bem interessantes. A foto e o texto abaixo são uma tentativa de decompor a imagem.



As árvores do primeiro plano (formas complexas em silhueta) chamam a atenção à primeira vista. A partir daí o olhar percorre um "S" (não muito perfeito) seguindo o mar de nuvens (nuvens são claras, atraem o olhar). As montanhas que formam o "S" empurram o olhar (formas simples e escuras repelem ou empurram o olhar). A combinação desses fatores faz o olhar percorrer o caminho das nuvens até a montanha maior no horizonte. A cor forte do céu também é um elemento que atrai o olhar.

Na análise dessa imagem podemos listar alguns conceitos:

  • Formas escuras e/ou simples empurram ou repelem o olhar
  • Formas claras e/ou complexas atraem o olhar
  • Curvas em "S" são naturalmente atraentes e costumam ser percorridas pelo olhar. São mais fortes se começam num canto da foto. E são mais fortes se estão totalmente contidas na foto (nesta minha foto uma perna do "S" está invadindo a lateral esquerda da foto).
  • Cores vivas também atraem o olhar

Tudo isso é teoria, mas às vezes explica o motivo de uma foto ser atraente. Podemos usar esses conceitos conscientemente, mas muitas vezes fazemos isso sem perceber, o que só confirma a força dessas formas e fluxos no nosso subconsciente.

sábado, 11 de maio de 2013

Abraço na Serra dos Órgãos - extra oficial de outono

(clique na foto para ampliar)

Mais uma edição do evento Abraço na Serra dos Órgãos, dessa vez um abraço extra-oficial e no sentido inverso. Reunimos alguns amigos para fazer essa edição de outono, com tempo mais fresco.

A partida dessa vez foi no Posto Galisco, em Itaipava. E decidimos fazer o circuito ao contrário, no sentido horário. Num sábado com tempo frio e muita névoa partimos em 10 ciclistas. Eram 7:20 da manhã.

Cruzamos Itaipava na névoa, todo mundo encasacado. Pegamos a estrada para Teresópolis e seguimos num bom ritmo. Logo que começamos a subir saímos da névoa e demos de cara um com lindo dia ensolarado. Céu azul, nenhuma nuvem... Começamos a tirar os casacos e seguimos pedalando forte serra acima.


Quase no final da subida paramos para uma foto no mirante.


Tempo bom, astral idem... seguimos pedalando e completamos os 12km dessa forte subida. Chegamos no topo, 1.430m de altitude, o ponto mais alto do Abraço.

Curtimos muito a longa descida até Teresópolis. Reunimos o grupo e atravessamos o trânsito da cidade com cuidado. Depois paramos para a foto oficial do Abraço na Vista Soberba.


Já eram quase 11 da manhã. Decidimos por uma pausa no Paraíso das Plantas para abastecer as caramanholas e para um rápido lanche.

Após o lanche conversamos sobre as condições da estrada, que estava com trechos em obra. Decidimos seguir juntos até a parte que está no sistema "pare e siga". Quando o trânsito liberou para descida partimos na frente, tão rápido, mas tão rápido que quando os primeiros carros começaram a nos ultrapassar já estávamos praticamente no pé da serra. Uma bela descida nesses 18km da serra de Terê.

Já era praticamente hora do almoço e tínhamos pela frente o longo trecho de baixada que foi no nosso martírio no Abraço oficial no verão. Mas dessa vez não estava tão quente e o grupo seguiu pedalando forte deixando para trás Guapimirim, Parada Modelo, Santo Aleixo, Rio do Ouro, Cachoeira Grande, Piabetá... Chegamos no Fragoso e paramos na Sorveteria Khunty para o que seria o nosso almoço.

Já tínhamos pedalado 90km e estávamos bem. Mas a grande subida do dia estava bem na nossa frente - a Serra Velha, com seus 12,5km de subida em paralelepípedo, do nível do mar até 840m de altitude.

Botamos as bikes para rodar por volta das 14:00 horas e começamos a subida. Fazia calor e o grupo já estava relativamente cansado. Com o tempo o grupo foi se separando e cada um achou sua cadência de subida. Quando todos se reuniram no topo já eram 17:00 horas e fazia frio.

Todo mundo encasacado de novo, um rápido café na padaria e bora chegar logo em Itaipava para terminar o Abraço. Atravessamos Petrópolis rapidamente chegamos na Catedral São Pedro de Alcântara, já escurecendo. Nem paramos para fotos. Ligamos nossas lanternas e partimos forte pela Barão do Rio Branco e depois União e Indústria. Esse trecho foi incrivelmente rápido. Impressionante a disposição da galera depois de pedalar um dia inteiro.

Chegamos em Itaipava às 18:00 horas, completando o Abraço em 10:40 horas. 128km de pedal. 1.840m de elevação acumulada (soma das subidas).


Cervejinha, pastel, muita comemoração. Com orgulho abraçamos mais uma vez a Serra dos Órgãos com nosso esforço e com as nossas valentes "magrelas".

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Acampando no Alto da Ventania


Já tinha um tempo que eu pensava em passar uma noite estrelada na montanha. Faltava só o tempo firmar um pouco.

Queria levar o equipamento fotográfico e testar umas ideias, algo na linha de inserir a barraca nas fotos de paisagem, algo que mostrasse a curtição de um acampamento solitário em montanha.

Esse início de maio estava com dias especialmente bonitos, mas minha agenda de trabalho estava cheia. Foi só um cliente ligar desmarcando uma viagem e eu montei minha mochila e parti para o Alto da Ventania, montanha que fica na Serra da Estrela.


Comecei a caminhada cedo, logo após o almoço. Queria chegar no cume com bastante tempo para escolher o local de acampamento e fotos.

O Alto da Ventania é uma montanha ampla, formada por três cristas com rochas e vegetação baixa. Um lugar muito bonito e com várias possibilidades para fotografia. Como o lado sudeste da montanha estava envolto em névoa, acabei decidindo ir para a formação de rochas que fica no final da crista noroeste. Ficaria de frente para o por do sol e ainda teria uma boa vista para o nascer do sol se o tempo abrisse.

Cheguei no final da crista, um lugar que parece o topo de uma torre, um pequeno espaço cercado de pedras. Como o objetivo era fotografar, fiquei imaginando vários enquadramentos antes de decidir como montar a barraca. Decisão tomada, deixei a tralha toda lá e fui até o outro extremo da montanha pegar água numa fonte.

Silêncio total... é tensa e ao mesmo tempo gostosa a sensação de estar sozinho numa montanha ao entardecer.

Voltei para a minha "torre" e fiquei esperando o entardecer para fazer as primeiras fotos. Na "hora mágica" a calmaria dá lugar a um corre-corre para fazer os enquadramentos e ajustes com a luz mudando rápido.




Escureceu. Me agasalhei, preparei um chá quente e me concentrei para fazer as minhas experiências com a barraca iluminada. Fotometra, testa enquadramento, ajusta a posição da lanterna na barraca, liga o timer, corre para a pedra... depois de algumas tentativas começou a dar certo...


Depois veio a parte das estrelas. Fiz alguns testes com ISO bem alto para chegar na fotometria. Daí pra frente era fazer conta e deixar a câmera em "bulb" por vários minutos. Nessa hora descobri que passa tanto avião pelos céus de Petrópolis que é impossível fazer um rastro de estrelas sem um avião riscando o céu. A única foto que eu consegui era uma foto horizontal que eu tive que cortar vertical para tirar um rastro de avião.


Desisti dos rastros e fiz mais algumas fotos.




Nota: repare a constelação de Escorpião, ocupando a metade direita do céu, A estrela Antares, uma super gigante vermelha, é o coração do Escorpião. Antares é 700 vezes maior do que o sol e é uma das maiores estrelas conhecidas. Seu nome deriva de Anti-Ares (anti-Marte), por ser um estrela vermelha que rivaliza com o planeta vermelho. A coloração vermelha de Antares é visível a olho nu.




A noite estava linda, mas serenava bastante. Apesar do céu limpo não fazia muito frio. Mas eu já tinha esgotado minhas ideias e resolvi que era hora de descansar. Fui pra a barraca, li um pouquinho no meu Kindle e depois dormi.

A madrugada gelada descarregou a bateria do meu celular e o despertador não tocou. Eu até acordo cedo naturalmente, mas quando saí da barraca faltava pouco para o nascer do sol. Queria ter iniciado as fotos um pouco mais cedo, mas já estava feliz com as fotos da noite. O que viesse nessa manhã já seria lucro.


Com o dia claro preparei meu café da manhã - chocolate quente e sanduíche de queijo com peito de peru. Fui desmontando acampamento sem pressa.


Mochila nas costas, missão cumprida, me despedi da minha "torre" e peguei a trilha de volta pra casa curtindo o visual desse pedacinho especial da Serra da Estrela.






Workshop de Fotografia de Montanha. Clique no link para mais informações: http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/2012/10/i-workshop-de-fotografia-em-montanha.html

sábado, 13 de abril de 2013

A Incerteza na Fotografia de Montanha

(clique na foto para ampliar)

Um dos grandes dilemas da fotografia de montanha é a incerteza.

Você pode simplesmente sair por aí com a câmera na mão "colhendo" o que a natureza te oferece. É até possível fazer fotos boas assim.

Mas quando você começa a observar a luz ao longo do dia, ou ao longo das estações do ano, os tipos de formações de nuvens, as florações da árvores, etc., você pode começar a planejar as fotos, aumentando muito as chances de fazer uma grande foto.

Em dias limpos, comuns no inverno, é possível fazer planejamentos super detalhados com alto grau de acerto. Mas nem sempre esses dias de céu azul rendem as melhores fotos. Fotos com céu limpinho tendem a ser monótonas.


Já nos dias de tempo mais incerto é até possível fazer algum planejamento. Quando as coisas dão certo é nesses dias que fazemos as grandes fotos. Um céu carregado, raios de sol, nuvens nas mais variadas formas, luzes e sombras... a natureza que nos encanta e até nos assombra.

(clique na foto para ampliar)

(clique na foto para ampliar)

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Mas nessas condições muitas vezes acabamos voltando para casa sem foto alguma, quando não voltamos molhados, enlameados, com frio...

Cabe ao fotógrafo de montanha ter a sabedoria para lidar com essa incerteza, comemorando como um prêmio as grandes fotos, ou comemorando estar na montanha com os amigos quando as fotos não são possíveis.

(Flávio Varricchio, Jorge Goettnauer, Caio Garin e Waldyr Neto)

A foto acima foi tirada no Alto da Ventania, uma montanha que fica na Serra da Estrela, Petrópolis. Iniciamos a subida numa madrugada de sexta para sábado neste outono. A entrada de uma frente fria e o nascer do sol sobre as montanhas da Serra dos Órgãos poderiam render algumas boas fotos. Arriscamos... mas ao chegarmos no topo entramos numa nuvem. Visibilidade zero. Sentamos numa pedra e ficamos curtindo o silêncio até o dia clarear.

Na busca das grandes fotos de montanha é preciso arriscar. Quando dá certo vale por todas as vezes em que não deu.

E no fim das contas estar na montanha com os amigos ainda é o que realmente vale a pena.


Gostou do texto? Quer saber mais sobre o planejamento de fotografias de paisagem?